TAG: Amo / Odeio

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Combinado é combinado, não é? Pois então. Além de combinar com vocês que toda quinta-feira haveria publicação do Projeto #462 e de possíveis TAGs, combinei com a Raissa do Pão e Leite que responderia a TAG Amo/Odeio em que ela me marcou junto com outros dez blogs.

Muito obrigado, de verdade, por ter lembrado de mim!

A TAG foi criada pela Karla Cherry do Cherry Cookie e o objetivo pode parecer simples, mas acredito que não seja tão fácil: falar sobre dez coisas que Ama e dez coisas que Odeia.

Danou-se.

As regras são:

Dizer 10 coisas que você odeia e 10 coisas que você ama;
Indicar 10 blogs para fazer a Tag também;
Colocar a imagem da Tag;
Colocar o blog que deu origem a Tag;
Colocar o link de quem te indicou.
Então vamos lá:
Dez coisas que amo:

1. Minha esposa: de verdade, não é possível conviver com uma pessoa completamente diferente de você, com criação e costumes diferentes, sem amar;
2. Minha família: Pai, mãe, irmãos, amigos, avós, tios, primos. Todo mundo incluído aí. E não é só minha família de sangue. Hoje, casado, também considero toda essa relação parentesca com os integrantes da família da minha esposa. Cada um deles é tão importante quanto meus co-sanguíneos;
3. Meus cachorros: Ah, mas eles não são família? São, são sim. Mas merecem um tópico especial;
4. Minha estante de Livros: Imagine um cabra com ciúmes dela. Eu!;
5. Ler: A leitura é um prazer que se renova a cada página. As vezes, fico dias sem ler; parece que nunca mais voltarei ao mundo das letras nessa inércia sem fim, mas, quando volto a pegar em um livro, todo o prazer retorna;
6. Minha gaveta de filmes e jogos: Podemos estender meus ciúmes a ela também;
7. Jogar videogame: Para desligar o cérebro, tem algo melhor?;
8. Minhas lembranças: Existem momentos que tudo que tenho é o que está guardado nas minhas memórias. Por vezes podem até não retratar a realidade, mas as sensações são tão verdadeiras quanto às vividas no momento original;
9. Cozinhar: Gosto de cozinhar, mesmo. Não sou de inventar pratos novos, na verdade, eu não sigo receita, então, gosto mesmo é de inventar novas maneiras de fazer pratos que esqueci a receita. No fim dá certo. Acredite;
10. Escrever: Por que escrever está em último lugar na minha lista? Porque só descobri há pouco tempo que me sinto bem escrevendo. Até pouquíssimo tempo atrás eu tinha vergonha do que escrevia. Muitos tiravam sarro. Era bullying pesado mesmo.

Dez coisas que odeio:

1. Mudar de ideia depois de tudo pronto: Quase mato quem diz a caminho do restaurante escolhido para passar a noite “Acho melhor irmos para a festa tal. Não quero mais jantar” ou coisas do gênero;
2. Injustiça: Pessoas que não reconhecem as N benfeitorias e se incomodam com uma deslizada;
3. Mexer na minha gaveta de filmes e jogos;
4. Mexer na minha estante;
5. Trocar minhas coisas de lugar sem me consultar;
6. Ser acordado antes da hora programada no despertador: Eu acordo muito bem com o despertador, obrigado! Não sou do tipo que bota a soneca 15 vezes antes de acordar. Normalmente, acordo logo no primeiro alarme. Então, não se preocupe, eu não vou perder a hora. Se me acordar um minuto antes, que seja, perco meu dia;
7. Pessoas que dão pitaco enquanto cozinho;
8. E o pior, pessoas que além de dar pitaco, ficam em cima de mim, olhando por cima do meu ombro para ver se estou fazendo direito;
9. Pessoas que estão acima do bem e do mal ou que se fazem de vítima;
10. Pessoas que contam vantagem em tudo. TUDO!

Caramba, é muito mais difícil falar de coisas que odeio.

E, respondendo à última regra, esses são os blogs que marco para responder a TAG. Lembrando que os se já tiverem sido marcados não precisam responder novamente e, também, só responde quem realmente quiser.

1. Crazy Old Stories;
2. Livros da Jess;
3. Bagunça Perfeita;
4. Livro com Café;
5. Cafeteria 42;
6. With My Journal;
7. Mais Café;
8. Garotas Discretas;
9. Livros & Aventuras;
10. Contos e Reconto;
11. Entre Livros e Trânsitos;

Onze porquê sim! Não sou muito de respeitar todas as regras.

Aguardo marcações em novas TAGs. É até que divertido!

TAG: Amo / Odeio

Projeto#462 – Exercício#2

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Esta semana foi uma semana atípica conforme minhas Explicações de Segunda, mas, depois de deixá-los sem as publicações referentes à criação de Personagens e Locais, não poderia falhar logo na segunda semana após o início do Projeto #462. Aliás, a publicação da semana passada foi o recorde de visualizações desde que iniciei o Onírico Autor. Muito obrigado a todos pelo reconhecimento e pelas visitas.

A proposta do Bagunça Perfeita para o Exercício#2 mexeu muito comigo. Sim, achei complicado demais elaborar um texto a partir da última frase, ainda mais por se tratar de uma frase que abre tantas possibilidades. Fiquei perdido com o mar de opções – e minha esposa sabe muito bem como odeio escolher o que melhor me agrada (tudo, tudo, tudo me apraz em certo ponto).

Pois bem, a proposta era:

Escreva uma história que termine com a frase: “e esse é o quarto / espaço onde isso aconteceu.”

E esta é a história:

Projeto #462 – Exercício #2

O cursor piscava com intermitência na tela. Piscava.

Alberto o encarava com os olhos vidrados. Estático.

O cursor piscava.

Alberto o encarava.

As ideias insistiam em fugir-lhe da mente. A sensação Alberto já conhecia: desespero, seu maior medo; era o escárnio do cursor, o maldito zombeteiro.

Já não sabia se era noite ou dia, conhecia apenas o brilho do monitor. Todo o resto fora drenado pelo escuro.

Imerso naquela constante binária entre o sumir e o aparecer, sentiu seu estômago subir agarrado pelo esôfago e a visão tombar de um solavanco só até seus pés. Seu cérebro pulsava.

Vertigem.

Era o estágio avançado do ócio intelectual. Mumificara seu corpo em frente ao computador na esperança de uma invasão de conhecimentos e aplicações inovadoras. Não comeu, mal bebeu e não se levantou. Não havia necessidade. Tudo o que importava era o criar. Agora, mal respirava. Talvez tivesse sido isso. Talvez, por isso, tudo rodava ao seu redor e, ao centro da vista, o cursor piscava.

Alucinou pelo o que pareceu horas e, tão rápido quanto começou, tudo parou.

Ofegava desnorteado e seu pulso retumbava em seus ouvidos. Fora abduzido pela ausência de consciência e jogado de volta pela explosão da emoção.

Estava em pé em frente ao computador. Mas quando levantara?

Sua visão, aguçada, agora lhe mostrava o que antes ignorava. A cama a sua direita, cortinas acetinadas, papel de parede mofado, um espelho de moldura antiga, dois móveis de cabeceira e a porta aberta que dava para o banheiro. Um quarto de hotel.

Ainda ofegante, acendeu a luz do quarto.

Os olhos doeram para se acostumar. Piscou.

Alberto encarou o quarto com os olhos vidrados. Estático.

Olhou do computador, de onde ainda pulsava o cursor, à cortina acetinada que agora ostentava viscosas nódoas vermelhas que ainda escorriam lentamente pelo liso tecido. As roupas de cama estavam espalhadas pelo chão do quarto e também possuíam manchas frescas de um vermelho forte. Tudo estava revirado. O colchão rasgado, as cômodas tombadas e havia até pedaços do espelho quebrado no chão. Somente o computador encontrava-se intacto.

Alberto conteve as entranhas. Esmoreceu sob os joelhos e vomitou.

Ao erguer a cabeça, pôde perceber que um rastro de sangue – agora tinha certeza que o vermelho se tratava de sangue – se arrastava até o banheiro. Trêmulo, engatinhou moroso acompanhando aquele rastro abjeto.

O banheiro permanecia escuro. Alberto se pôs de pé escorando no batente da porta e a mão seguiu para o interruptor. Fechou os olhos, mas de alguma forma sabia que encontraria ao abrí-los.

Nada.

Não havia corpo no chão, mas o rastro ainda levava até a banheira. Alberto cortou o banheiro em dois passos e puxou a cortina com força. Foi preciso pelo menos três puxadas para arrancá-la por completo. E, mais uma vez, nada. Dentro da banheira não havia corpo e muito menos sangue. Porém, Alberto percebeu que agora havia sangue na cortina, onde, antes, estava limpa. Olhou suas mãos e tudo percebeu.

Caminhou passos certos até a primeira cômoda e a colocou no lugar. Pegou o telefone do chão e sentou-se na cama.

Discou.

Esperou.

Uma voz dura respondeu “Octogésimo nono DP. Sargente Müller falando!”.

Alberto tentou manter a voz calma e denunciou todos os detalhes do caso de homicídio ao sargento de plantão enquanto enfaixava seus braços. Ao fim da ligação, desligou, posicionou o telefone sob a cômoda e dirigiu-se à porta do quarto.

Respirou fundo e sorriu. Agora compreendia. Tudo o que importava era o sentir. Viver.

Na tela do computador, o cursor ainda piscava na página em branco.

Na parede, podia-se ler em letras de um vermelho escorrido:

“E esse foi o quarto onde isso aconteceu.”

Projeto#462 – Exercício#2

Capítulo 01: Escolhas e Consequências (Parte 03/03) Conclusão

Enquanto os demais discutiam o caso Mesuran, Darvi Blake, o mestre de obras, absorvia cada palavra com perplexidade. Falavam sobre movimentação de tropas e seus custos, sobre posicionamento em campo aberto, fabricação e transporte de armamento. Calculavam o tempo de recuperação da produção agrícola que seria destinada para alimentação de cavalos e soldados. Estimavam perda de lucro com proibição de comércio com os reinos vizinhos, enquanto já havia planos de retorno (a seu ver, milagrosos) com o estímulo ao comércio interno. Havia algo de errado com aqueles homens, pensava. Pensou alto demais.

– Desculpe – o rei tirara-o de seus devaneios – gostaria de falar algo?

– Tenho permissão para falar livremente, Vossa Majestade?

– Faço gosto de ouvi-lo, mestre Blake.

– Os companheiros falam de guerra com facilidade e eu ouço sobre vidas perdidas com horror. Decidem pelo destino do reino sem, ao menos, terem ideia de que também estão decidindo pela vida de cada uma das crianças, mandado-as para batalhas de uma guerra que ainda nem foi declarada. Impõem o sofrimento às mães destes pequenos. Determinam para quem fazendeiros devem vender suas verduras e legumes ou não. E todas essas decisões foram tomadas sem uma tentativa de conversa com Condril. – Discorreu com o mesmo fulgor de quando, outrora, relatava sobre o avanço das obras. Protestava em defesa de seus homens, falava com a voz do povo. Agarrara-se àquela oportunidade de levar medos, receios e a visão de seus iguais aos homens que passaram a escutá-lo, agora, como a um igual.

Demóstenes, que ouvia tudo com um sorriso fraternal, levantou-se e foi em direção ao homem que concluía, com exaustão radiante, seus pensamentos.

– É com grande prazer que recebemos a visão de um homem do povo, mestre Blake…

Aproximou-se  de Darvi Blake retirando a túnica.

– Mas devo salientar que, diferente do que pensa, a falta de tentativa de diálogo com Benson Filnach dá-se, exclusivamente, por já conhecermos sua posição quanto ao assunto…

Aproveitou o assento vazio ao lado do mestre de obras para pendurar o manto…

– No passado, quando solicitamos sua ajuda no caso Mesuran, Benson recusou-se veementemente e ainda forneceu todo o apoio financeiro e militar a Cágeni – sentou-se com o braço apoiado sob a mesa e com sua face sob a forma de uma máscara sorridente olhando fixamente para Blake.

– O que este homem quer, Darvi, é guerra! Basta-nos saber se o motivo é retaliação, imposição cultural ou uma oportunidade para tomar Portouro – completou Ughar.

– Benson defende a latência cultural e religiosa; condena Mansedes por virar as costas aos costumes antigos do continente – concluiu Demóstenes ainda mantendo a face congelada.

– Neste ponto em que me apoio, Vossa Beatitude: as decisões que aqui são tomadas refletem na vida de cada habitante de Mansedes. Nossos filhos são levados para outras cidades para comporem o exército do reino. Maridos foram levados para as fronteiras em uma obra sem precedentes. Todos fomos doutrinados perante os dogmas de Ardir. Não nos foi dado o direito de escolher onde trabalhar, de que forma educar nossos filhos e, muito menos…

Darvi Blake estancou o raciocínio tão repentinamente quanto dera início à reunião momentos antes. Todos observavam incrédulos enquanto Demóstenes forçava algo em suas mãos contra o ventre do mestre obras com solavancos cada vez mais intensos.

– Conclua, homem. Conte-nos como não lhe foi dada escolha a religião. – Demóstenes escancarava seu sorriso fraternal em enormes dentes insanos. – Veja: agora, você tem a escolha. Nosso louvado Ardir é misericordioso. Escolha viver em Sua presença e seja recebido de braços abertos, ou, caminhe para o reino de seus antigos deuses e sinta toda a fúria de entidades renegadas – retirava vagarosamente a lâmina do macio estômago do construtor e, sorria ainda mais, enquanto via o fio de vida se esvair dos olhos cansados do mais sábio homem que sentara àquela mesa. Uma ameaça a menos!

Impassível como a ignorância, Demóstenes guardou a lâmina dentro da faixa que circundava sua cintura e tornou a cobrir-se com sua túnica intacta. Sereno, como sempre, tornou a discursar:

– O homem mais uma vez estava certo, Vossa Majestade. Todas as escolhas deverão repercutir na vida de cada um de nós para que Mansedes prospere hoje e nos dias que virão. Lembre-se: a primeira vida tocada por Ardir foi a de vosso próprio filho, portanto, vossa dívida será eterna perante a benevolência de nosso amado e verdadeiro Senhor.

Capítulo 01: Escolhas e Consequências (Parte 03/03) Conclusão

Explicações de Segunda

Bom dia a todos.

Neste semana, encerrarei o Capítulo 01: Escolhas e Consequências na quarta-feira como de costume. Isso quer dizer que todos os elementos que deveriam ser apresentados já foram publicados aqui no blog: Personagens, Locais e curiosidades.

Como combinado, toda segunda deveria ter post sobre as personagens presentes no trecho publicado, e como vocês já conhecem Ughar, Demóstenes, Gerard, Darvi e Cletus, fico mais tranquilo em não ter preparado nada para vocês. Pois é. Hoje não estou no trabalho, logo, estou sem acesso ao meu material sobre o livro e, além disso, precisei me preparar para resolver umas questões pessoais na cidade.

Espero que todos compreendam os motivos e entendam que esta é uma semana atípica.

Para quem perdeu algum post sobre o capítulo 01, aproveite para clicar nos links do primeiro parágrafo. Está tudo bem organizado.

Espero que todos tenham uma boa semana.

Abraços.

Explicações de Segunda

TAG: Os Dez melhores livros

Quando iniciei o blog, incialmente tinha a intenção de tirar a quinta-feira de folga para as publicações, mas como nem tudo é permanece da mesma forma de quando foi imaginado reservarei a quinta-feira para as TAGs e para o Projeto #462.

Esta semana, fui marcado na TAG “Os 10 melhores livros” pela Jéssica (Livros da Jess) e pela Camilla (Crazy Old Stories) e como sou de honrar a minha palavra, farei as duas listas, uma de títulos únicos para a Jéssica e uma de séries e sagas para a Camilla.

Vamos aos nomes:

10 Títulos únicos que li:

1. Ilha do Medo (Paciente 67) – Dennis Lehane;
2. Caim e Abel – Jeffrey Archer;
3. A Cabana Willian P. Young;
4. Não matem as flores – Johannes Mario Simmel;
5. Clube da Luta – Chuck Palahniuck;
6. Dom Casmurro – Machado de Assis;
7. Flash Forward – Robert J. Sawyer;
8. Laranja Mecânica – Anthony Burgess;
9. 1984 – George Orwell;
10. Morte Súbita – J. K. Rowling.

10 Sagas e Séries:

1. Harry Potter – J. K. Rowling;
2. Dexter – Jeff Lindsay;
3. As Crônicas de Gelo e Fogo – George R. R. Martin;
4. As Crônicas de Starbuck – Bernard Cornwell;
5. As Crônicas da Tormenta – Leonel Caldela
6. O Caçador de Apóstolo; O Deus Máquina – Leonel Caldela;
7. Star Wars – IV (George Lucas); V (Donald Glut); VI (James Kahn);
8. Senhor dos Anéis; Hobbit – J. R. R. Tolkien;
9. O chamado do cuco; O bicho-da-seda – Robert Galbraith (J. K. Rowling);
10. Crônicas Vampirescas – Anne Rice;

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A Rebecca Veiga do Bagunça Perfeita acabou de me marcar na TAG dela também. Isto quer dizer que tenho espaço para mais 10 livros. Oba, oba, oba!

10 outros livros:

1. A menina que roubava livros Markus Zusak;
2. Anjo da morte – Sidney Sheldon;
3. Rápido e DevagarDaniel Kahneman;
4. Uma breve história do mundo Geoffrey Blainey;
5. Noite ilustrada – Thedy Corrêa;
6. Claro enigma – Carlos Drummond de Andrade;
7. Poesia complete de Alberto Caeiro – Fernando Pessoa;
8. Brás, bexiga e barra funda – Antônio de Alcântara Machado;
9. Espumas Flutuantes – Castro Alves;
10. Alice no país das maravilhas – Lewis Carroll.

Foi difícil, mas eu venci essas meninas. Talvez se eu lesse o mesmo volume de livro que elas não fosse tão difícil.

Não vou marcar ninguém por ser muito difícil acessar os blogs de vocês e copiar os links para fazer o Ping back, então, quem tiver vontade e quiser responder eu recomendo. É um exercício muito gostoso.
Grande abraço.

TAG: Os Dez melhores livros

Projeto #462

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Hoje é quinta, e como disse no post anterior, agora não tenho mais folgas durante a semana. Todo dia é dia de escrever e sendo assim, nada mais justo do que escrever utilizando o cérebro.

A Rebecca Veiga lá do Bagunça Perfeita iniciou na sexta-feira passada o Projeto #462, que nada mais é do que diversos exercícios de escrita para promover a criatividade. Interessantíssimo, não? Pois é, eu achei! E tendo achado, participei.

O primeiro tema foi proposto na própria sexta e consiste na seguinte idéia:

Um homem pula do quadragésimo andar de um prédio. Quando está passando pelo vigésimo oitavo andar, ele ouve um telefone tocar e se arrepende de ter pulado. Por quê?

Eis que vos apresento o motivo. Espero que gostem:

Projeto #462 – Exercício #1

O vento vestia-lhe, por dentro das vestes, de liberdade e coragem; despia-lhe de medo e incertezas; soprava-lhe motivação.

Um passo.

O limite reto de concreto frio sob a pressão de seus dedos de um pé descalço preenchia-lhe o tato. Nas mãos, o celular fazia a ligação.

Mais um passo.

E o vazio.

Naquele instante, não tinha nome, não havia vivido história alguma. Não era ninguém. Fora consumido pelo nada. Preenchido de essência. Era o mundo e era tudo. Espalhou-se pelo espaço. Era feito átomo e do átomo viera, e da matéria se fizera, e do vento a energia sentia, e, do vento, quarenta motivos o sopro lhe trazia.

Quarenta andares.

Quarenta janelas.

Quarenta histórias.

Nenhuma tragédia.

Entrava cedo do dia pelas portas – logo abaixo – que davam para o a recepção daquele prédio comercial e, desde lá, todos sorriam. “Bom dia” diziam. Apenas um olhar lhes retribuía. Seria ele, somente ele, a quem a noite perturbava e o sono tomava? De certo que sim. Afinal, ali, todos sorriam.

Trinta e sete.

No rumo da venta, de lá zarpava para noite. Da noite para casa. Em casa, sua esposa despojava-lhe o sossego. Era “Da cama para o sofá – Já!”. Culpa do hálito. Culpa do bar. Culpa do trabalho. Culpa do dia; dos “Bom dia”. Culpa do … Culpado!

Dali, agora, contava: trinta e quatro janelas. Sua idade. Não mais que Cristo. Ou teria Ele trinta e três? A consciência, impiedosa, acometia-lhe a culpa. “O que seria de um homem sem a fé” perguntava o pai e a mãe respondia “Um trapo”. Trapo de homem, era o que era! Sem fé, sem salvação. Sem perdão!

Ainda criança, sua mãe em desespero berrava “Desista, menino. Sai daí, ele não vai tocar” e resignado deixava o telefone sempre com o olhar por cima do ombro na esperança de ouví-lo tocar. Sempre as 17:45 o velho ligava “Já saí daqui garotão. O que vai ser hoje?”. Ele, o pai, tinha vinte e oito. Ele, ele mesmo, cinco. Na cama, o choro e da mãe o consolo “Não o culpe, por favor. Dê a ele o seu perdão de todo o seu coração”. O pai morreu cedo e, assim como o telefone, todo o resto ficara para trás com a sua lembrança.

Quanto mais faltava? Pouco mais que trinta janelas. Trinta talvez?

Vinte e nove! Aquele era o andar dela, a sedutora, a mulher do vestido vermelho. Distração certa em qualquer situação que estivesse. No elevador, corredor, escritório. E até em queda livre. Estava deslumbrante apoiada no batente da porta enquanto conversava com alguém do lado de fora. Sua mulher o odiaria por isso, na certa brigari… Alguma coisa vibrou em sua mente dragando de seu devaneio. Era no andar abaixo. O vinte e oito!

E tornou a repetir.

Era um toque de telefone, um daqueles antigos, do tipo metálico que vibrava coçando os ouvidos. Há anos não ouvia aquele toque.

Malditos escritórios retrôs.

Instintivamente, ergueu o pulso. 17:45!

Agora se lembrava: nem tudo ficara para trás. Gravado em sua alma, o ato se perpetuou. Ligava todo dia para seu menino “Já saí daqui garotão. O que vai ser hoje?”. Ele tinha trinta e quatro. O menino, cinco. O pai, vinte e oito. Na tela do celular, não era o número do filho que chamava.

Volta! Cancela! Aperta o vermelho. “Anda, funciona! Liga para o seu filho” sua consciência ecoava em seu ouvido. “LIGA PARA O MEU FILHO, DESGRAÇA” berrava.

O aparelho não voltou. Não cancelou. Não conseguiu apertar o vermelho – que agora era de arrastar –, mas, do outro lado, uma voz rouca, cansada, feminina respondeu “Alô?”.

Coração apertado, o pulso na boca e as lágrimas nos olhos. Planejara tudo aquilo. Passara semanas ouvindo aquela voz na imaginação. Tinha o diálogo pronto “Você estava errada, o telefone tocou”. E nada saiu.

“Alô” repetiu sua mãe.

“Mamãe” conseguiu dizer entre choro “o que vai ser hoje?”.

Projeto #462

Capítulo 01: Escolhas e consequências (Parte 02/03) Continuação

– Obrigado Demóstenes! – Os olhares voltaram-se ao rei. – Gerard, pelo que entendo, há dois pontos de possíveis ataques nos arredores do porto. Temos contingente suficiente na região para guarnecer a defesa nos limites do muro?

– Existe um soldado para cada operário, Vossa Realeza, em um total de cinquenta homens na ponta norte e mais cinquenta ao sul, e também temos a milícia da cidade. Ainda que desloquemos os batalhões das outras vilas e cidades em obras, não teremos contingente suficiente para uma batalha. Além de deixa-las desprotegidas. – A obra do Grande Muro foi idealizada em sete empreitadas distintas a fim de diminuir o tempo de construção e finalizar o projeto o quanto antes. As cidades escolhidas como pontos estratégicos representam o ponto de partida de cada uma das empreitadas e, a partir delas, cada grupo construtor se divide em dois. Um sobe a norte e outro rumo em direção contrária, ao sul, no caso de Portouro e Trisólis que se localizam na fronteira Oeste do reino. Em Quendime, Aruan, Silveiras e Porto do Cabo, que fazem fronteira ao sul, a expansão se dá de lesta a oeste a partir do centro das cidades.

– Vossa Majestade Real, se me for concebido o direito da palavra. – Apresentava-se com insegurança o último dos convivas. – Faço-me presente como voz de O Honorável Marlo Gulbak, Conde de Portouro.

Cletus Styr vestia-se como duque, com roupas espalhafatosas e bufantes; portava-se como nobre, garboso, cheio de si e entupido de melindres. Fedia como um cavalo. Todos já esperavam pela enfadonha apresentação repetida por inúmeras vezes sem fugir de seu próprio protocolo. Representava o senhor de Portouro que, devido a um aleijão, encontrava-se imóvel em seus aposentos havia, pelo menos, uma década.

– O Conde cumprimenta Vossa Magnificência e Vossa Beatitude, Demóstenes, o Primeiro de Ardir, pela saudável recuperação do jovem, Sua Alteza Real, Ughar Uhran II – com um menear de cabeça o rei faz com que o interlocutor apresse-se. – É de conhecimento de todos que Portouro destaca-se em nosso reino como uma das cidades mais importantes, se não a mais, para a garantia da integridade da estrutura comercial de Mansedes.

– Pelas minhas orelhas, Cletus, já perdemos a guerra que ainda nem começou com tanto polimento. Fale para que veio!

– É de minha responsabilidade, senhores, trazer-lhes o desejo de Vossa Graça, Marlo Gulbak, de que a segurança de Portouro seja tratada com inegáveis urgência e prioridade, mesmo que seja necessário desguarnecermos vilas e cidades bases dos outros focos de nossa magnífica obra.

Ughar recostou-se. Demóstenes manteve-se em pé ao seu lado. Gerar meneava a cabeça em negação. Todos sabiam que, de todas as cidades, Portouro era a de maior importância para a manutenção comercial do reino. Localizava-se no entroncamento do Rio dos Deuses, que dividia a terra entre Condril e Mansedes; o rio era veículo transportador da extração de minério da Costa dos Mil Faróis até Porto do Cabo e as cargas percorridas por ele são desviadas por operadores a postos no entroncamento a fim de evitar que seguissem pela ramificação contrária. E Darvi Blake, surpreendendo pela segunda vez, posicionou-se indiferente às questões comerciais:

– Bem sei, como meus homens também sabem, o que é ser observado pelo inimigo mesmo com uma tropa destinada à nossa defesa. Desproteger os outros seis pontos de obra só tornarão os trabalhadores mais inseguros, ainda mais, quando a ameaça de Condril chegar aos seus ouvidos. Desertarão sem pensar, senhores.

– Peço que reconsiderem, nobres colegas. Não haverá ameaças às outras vilas, senhores. Não há crime em cercar-se! – ignorante à opinião e presença de Blake, Cletus dirigiu-se aos outros três sem desviar o olhar.

– Caríssimo Cletus, como já relatei, setecentos guerreiros não farão frente ao batalhão posicionado na ponta Norte de sua estimada cidade. Deixe que estratégias militares sejam traçadas por homens, rapaz.

– É preciso homens corajosos para discutir a segurança de um reino – rilhou os dentes o Porta-voz, deixando toda a pompa de lado.

– E o que sabe sobre coragem, poltrão? Oh, perdoe-me, é preciso muita coragem para apresentar-se com modos tão efeminados perante homens de valores e não temer ser açoitado. Ou, mais coragem ainda para aguenta uma noite de lascívias embaixo de seu pangaré. – O general apertava o braço de sua cadeira para conter sua fúria.

O caos instaurou-se na mesa. Vozes alteraram-se, ameaças foram disparadas, deu-se início a uma peleja apartada por Blake, até que Ughar Uhran impôs sua esmagadora vontade com uma palavra que se sobressaiu a todas as vozes:

– Basta – seu tom era calmo, mas todos puderam ouvir, e ninguém pôde ignorar – Gerard e Cletus, esquecerei as ofensas proferidas em minha presença. Tenham em mente que, na próxima fitada inadvertida, retirarei títulos e terras. Em caso de escárnio, cortarei pessoalmente as línguas. Se houver ofensa, será o cadafalso o destino de vocês. Seja vítima ou agressor. – Houve uma longa pausa para que todos absorvessem as advertências e, então, o rei prosseguiu como se não tivesse havido distúrbio algum na reunião. – Gerard, comunique aos comandantes de cada batalhão que deverão destacar os melhores batedores para que verifiquem, durante as noites, se há outros acampamentos inimigos na zona de ameaça de nossas obras, para que não sejamos pegos desprevenidos em uma defesa suicida. Cletus, informe ao Conde Marlo que, assim que soubermos a extensão da ameaça, proveremos tropas suficientes para a segurança de todos em Portouro.

Demóstenes apreciava a postura de seu rei enquanto meneava a cabeça em concordância com suas advertências e decisões. Certamente, lembrava-se de seus pensamentos no início daquela manhã: Ughar poderia até ser um homem comum, mas sabia impor-se como um verdadeiro monarca. Após a conclusão do raciocínio do rei, Demóstenes vestiu-se de um sorriso fraterno e advertiu a todos.

– Não podemos nos esquecer de Mesuran, caros colegas. Mesmo que subir muros em proteção não seja crime, ao virarmos as costas para cidades fronteiriças, estaremos sujeitos às influências culturais e à fragilização dos propósitos de Ardir. Existem outras opções de recrutamento, senhores.

– Demóstenes tem razão no que diz, – concordou Gerard – completa-se três anos desde o início da obrigatoriedade militar. Nas principais cidades e aqui mesmo na capital, recrutamos meninos ainda verdes que hoje já se encontram prontos para encarar qualquer batalha e, a cada ano, recruta-se mais e mais desses promissores soldados.

Mesuran fora o estopim que dera início ao conceito do plano diretor de Demóstenes. Era a maior das cidades que fazia fronteira com Cágeni e, naturalmente, sua maior parceira comercial antes da independência de Mansedes. Mesuran trazia consigo a cultura do continente enraizada em seu povo, em suas praças, vielas, em cada casa, em cada criança e em cada cantiga. Negara-se com veemência a aceitar a modificação cultural imposta por Ughar e, em antecipação de qualquer providência disciplinar, solicitara a Cágeni proteção militar em troca do fornecimento dedicado de grãos produzidos em suas terras. Com isto, Mesuran integrou-se ao reino de Cágeni desfalcando Mansedes em uma quantia monetária considerável no balanço final das estações. Em um conselho de urgência, Ughar apresentara a todos os membros e representantes das principais cidades do reino o Plano Diretor de Ascensão de Mansedes prontamente elaborado por Demóstenes. O Plano previa a construção do Grande Muro, a instrução militar em massa para homens formados que completassem quartoze anos durante a estação, a alfabetização de toda a população e a disseminação da palavra de Ardir em cada cidade, vila ou vilarejo pertencentes ao Reino Independente de Mansedes.

Capítulo 01: Escolhas e consequências (Parte 02/03) Continuação