O começo

Nos últimos dias, li um pouco dos inúmeros blogs disponíveis no WordPress para entender um pouco de como funcionar a rotina de um blogueiro; um Benchmarking na blogosfera. Percebi que muitas dessas personalidades afloraram o desejo de escrever desde cedo e fiquei surpreso com o número expressivo de páginas de futuros brilhantes autores. Comigo foi um pouco diferente (apesar do Luniel ser escritor desde sua concepção).

Nem na infância, na adolescência ou, até mesmo, em épocas mais recentes, tive grandes aspirações às letras. Acreditava escrever bem (vá lá!), mas nunca o suficiente para encarar um projeto de livro. Achava loucura, genialidade e até milagre dar forma coesa e contínua a uma história costurada por parágrafos distintamente ligados. Fui escritor de backgrounds para RPG, mas só. Dedicava boas horas de finais de semana, pré início de campanhas, para criar a origem de personagens que viveriam pela minha interpretação. Ansiava pelo começo das aventuras para viver dentro da mente de uma pessoa que eu não poderia ser; fazer escolhas diferentes, rir, falar e pensar com outra cabeça. Assim foi com Galahill, Cannon Shuttleworth, Kwait, Luniel Alof e não seria diferente com Khalik Proteus. Aaah, o Khalik!

BG01Khalik Proteus foi criado para a campanha do lendário André Vodoo (do Multiverso Reverso) e, por se tratar deste Mestre, resolvi que deveria ser uma personagem diferente para que me desafiasse na interpretação; nada melhor do que criar um humano normal!

O resumo de tudo é: a campanha não aconteceu. Mas Khalik estava vivo em mente e pronto para viver além dela.

Meses se passaram e a sensação de estar desperdiçando uma boa história não me largava. Por mais clichê que um background de RPG pudesse parecer eu havia me apegado à toda a criação. Personagem principal, personagens secundários, motivações rasas e vazias (sim, afinal, deveria ser um início de campanha) e algumas tensões. Eu queria aquela história, queria vivê-la, queria desenvolver.

Khalik 01Khalik 02

Um dia, voltando do trabalho, pensei em Luniel Alof, meu antigo bardo controverso, porém ótimo escritor (ele, não eu). Luniel era contador de histórias, um falastrão com discurso verossímil. E eu gostava dele.

Por que não voltar a dar vida à minha odiada personagem (pelos outros) para poder soprar o barro de uma criatura inanimada, porém, não privada da sede pelo viver?

Eu tinha a idéia, a personagem, a história e o autor. Era o criador! Mas não poderia jogá-los em Faerûn; precisava de um lugar, precisava de um mundo. Precisei de Mansedes.

Anúncios
O começo

Prelúdio

E a tua história, quando será contada?

Muitos diriam que nunca. Mas peço, por favor, que não te sintas mal pela opinião de conservadores. Estes, que são apenas criaturas desejosas por aventuras fantásticas que não são capazes de protagonizar, vivem pelas façanhas de grandes personalidades do passado, ou até mesmo de seres fictícios que desbravam masmorras, enfrentam bestas colossais, se tornam grandes líderes, gravam seus nomes na eternidade do tempo. Mudam o mundo.

Mas e quando o mundo muda a pessoa, os anônimos reais, sonhadores, verdadeiros soldados do dia a dia que lutam pela sobrevivência dos elementos de sua família, não pela perpetuação de um nome? Heróis e heroínas são carregados pelas vozes de bardos, trovadores e menestréis. Tornam-se conhecidos. E quem conhece a batalha do aldeão, a peleja do cidadão?

Encontrei Khalik Proteus à beira da morte, entregue aos cuidados de uma pequenina que, muito provável, estava às vésperas de seu décimo aniversário. Deitados entre as raízes de uma antiga árvore, um fornecia calor ao corpo do outro. “Clarine” ele insistia em chamá-la. “Tessa” a pequena o corrigia.

Khalik e Tessa. Duas figuras reais. Desconhecidas do mundo.

Forneci abrigo em minha tenda, fogo, comida e roupas secas. Mais do que choque, a cena daquelas miseráveis almas me encantou. Como bardo, levo os batidos contos para as vilas que visito. Como humano, me apaixonei pelos mistérios das possíveis circunstâncias que os levaram àquele quadro lastimável.

A beleza da tragédia deveria ser contada por mim. Eu seria o arauto do comum. O responsável por elevar os plebeus à nobreza, por trazer nobres à sutileza da vida campestre. Por isso me foi dada a dádiva de encontrá-los, cuidar de seus ferimentos, conhecê-los. Ouvir suas histórias.

E nesta história, nenhum plebeu se tornará herói. Mas, para que se entenda a queda de uma alma, é preciso explicar, primeiro, a queda do mundo.

– Luniel Alof

Prelúdio